A adoração e a veneração são duas formas de devoção e toda a verdadeira devoção tem Deus como seu fim último. São três os tipos de culto: "latria", "dulia" e "hiperdulia". 

Adoração

A palavra “adoração” é derivada do latim “adoratio”, que tem sua raiz nos termos “ad oro”, e significa “oro ou rogo-te”. É um culto que prestamos única e exclusivamente a Deus, chamado também de "latria".

O próprio Jesus Cristo nos deu essa Lei: “Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto” (Lc 4,8; cf. Dt 6,13).

“Adorar a Deus é reconhecê-Lo como tal, Criador e Salvador, Senhor e Dono de tudo quanto existe, Amor infinito e misericordioso.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2096).

Quando adoramos a Deus o reconhecemos com respeito e submissão, reconhecemos nossa miséria diante da misericórdia. Além disso, a adoração do Deus único liberta-nos do fechamento em nós mesmos, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo.

 

Veneração

Venerar é o culto prestado aos anjos, santos e às imagens e relíquias que os representam.

Venerar significa honrar. Culto chamado de “culto de dulia”, que expressa uma forma de devoção.

A veneração tem sentido quando se refere a honrar uma pessoa ou um objeto que nos remete a Deus. Ela, enquanto culto cristão, não tem outro sentido senão valorizar algo, um sinal que nos remete a Deus e Seu chamado de conversão a nós. É expressa externamente pela reverência às imagens dos santos e dos anjos (estátuas, esculturas, pinturas, ícones).

O culto das imagens sagradas na Igreja Católica não é contrário ao mandamento, que proíbe os ídolos (Dt 6, 13-14) pois, quem venera uma imagem, venera nela a pessoa representada.

A honra prestada às imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que é devida somente a Deus. O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas as vê sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado.

Sendo assim, o culto de veneração aos anjos e aos santos em suas sagradas imagens não é um fim em si mesmo, mas tem por finalidade a elevação das almas a Deus e a maior glória da Santíssima Trindade.

Portanto, com a veneração dos anjos e dos santos, glorificamos Deus, que é o fim último não somente da nossa devoção, mas também de toda a nossa existência.

Existe também o “culto de hiperdulia”, que é prestado a Santíssima Virgem Maria, que – por sua dignidade excelsa de Mãe de Deus, é colocada acima de todos os anjos e santos.

 

Veneração da Bíblia

A Palavra de Deus, ou melhor, os sinais da Palavra de Deus, especialmente a Sagrada Escritura, o evangeliário e o lecionário (esses últimos livros litúrgicos possuem partes da Palavra de Deus contida nas Sagradas Escrituras), também recebem o culto da veneração.

A Palavra de Deus que adoramos é Jesus, o Verbo Encarnado, Palavra eterna do Pai, Pessoa viva da Santíssima Trindade. A Sagrada Escritura é expressão inspirada e infalível dessa mesma Palavra, mas, mesmo sendo assim, não deixa de ser um livro.

Precisamos prestar atenção nesta importantíssima diferença: a Bíblia é Palavra de Deus, mas a Palavra de Deus não é a Bíblia, a Palavra de Deus é Cristo. A Bíblia e seus conteúdos escritos – todos escritos em contextos históricos específicos, culturais, geográficos, sociais, entre outros- devem ser honrados por nós, venerados.

Dessa forma, compreendemos que a devoção de adoração se diferencia da de veneração somente na forma que prestamos nosso culto a Deus: na adoração, prestamos culto a Deus em si mesmo; e na veneração, a Ele também, mas em suas criaturas. Assim, entendemos que não há nenhuma contradição entre o mandamento divino de adorar somente a Deus e a devoção católica de veneração aos anjos e aos santos.

FELIZ AQUELE QUE ADORA!

Deixe seu comentário

Post relacionados