O Papa São Gregório Magno deu ao último domingo antes da Quaresma (domingo da Quinquagésima), o título de “dominica ad carnes levandas”, o que gerou “carneval” ou, como conhecido por todos, o carnaval. Isso significa que, no Carnaval, o consumo de carne era considerado lícito, pela última vez, antes dos dias de jejum quaresmal.

Alguns etimologistas explicam as origens pagãs do Carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se fazer um cortejo com uma nave, dedicado ao deus Dionísio ou Baco, o deus do vinho, festa que chamavam em latim de “currus navalis” (nave carruagem), de donde teria vindo a forma Carnavale. Não é fácil saber a real origem do nome.

Outras festas semelhantes aconteciam na entrada do novo ano civil ou pela aproximação da primavera, na despedida do inverno. Eram festas religiosas, dentro da concepção pagã e da mitologia. Tudo isso era feito com o uso de máscaras, fantasias, cortejos, peças de teatro, etc.

Quando o Cristianismo surgiu encontrou esses costumes pagãos. Os missionários procuraram então cristianiza-los, no sentido de substituir essas práticas supersticiosas e mitológicas por outras cristãs, como Natal, Epifania do Senhor. Por fim essas festividades pagãs do Carnaval ficaram apenas nos três dias que precedem a Quarta-feira de Cinzas.

A Igreja procurou também incentivar os Retiros espirituais e a “Adoração das Quarenta Horas” nos dias anteriores à Quarta-feira de cinzas. Por isso, hoje, temos em todo o nosso país encontros e aprofundamentos religiosos.

Nesta época vale recordar o que disse São Paulo: “Nem os impudicos, nem idólatras, nem adúlteros, nem depravados, nem de costumes infames, nem ladrões, nem cobiçosos, como também beberrões, difamadores ou gananciosos terão por herança o Reino de Deus (l Cor 6,9; Rm 1, 24-27)”. O Apóstolo condena as paixões da carne tão vividas no Carnaval.

"Nestes dois últimos dias de carnaval, conheci um grande acúmulo de castigos e pecados. O Senhor deu-me a conhecer num instante os pecados do mundo inteiro cometidos nestes dias. Desfaleci de terror e, apesar de conhecer toda a profundeza da misericórdia divina, admirei-me que Deus permita que a humanidade exista." Santa Faustina Kowalska (Diário, 926)

A grande tragédia de nossa época é o homem moderno ter transformado “a sua vida em uma festa de Carnaval prolongada”. Deste modo, o cristão deve aproveitar esses dias do carnaval para descansar, rezar, estar com a família e se preparar para o início da Quaresma na quarta-feira de Cinzas. O cristão não precisa dessa alegria falsa das festas carnavalescas, pois o prazer é satisfação do corpo, mas a verdadeira alegria é a satisfação da alma, e esta é espiritual.

 

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